"É preciso a coragem de ser um caos para gerar uma estrela dançarina." - F. Nietzche.

sábado, 7 de setembro de 2013

O Não Texto

Devido à minha viagem para São Paulo esse final de semana, decidi deixar o laptop em casa e viajar com bagagem leve. Desse modo, informo infelizmente, que esse sábado e domingo, eu possivelmente não vou postar novos textos.

Sim, triste, lamentável, mas já era previsto que eu dificilmente conseguiria escrever TODOS os dias. Eu bem que tenho a disposição. Mas podemos combinar o seguinte? Segunda feira eu posto não UM, mas TRÊS textos para compensar a ausência! Um deles exclusivamente sobre a viagem e as manifestações de sábado.

Até a próxima colegas! Para não dizer que não contribui com nada, deixo aqui um álbum póstumo de um dos meus artistas prediletos. Nujabes. Ele morreu num acidente de carro, e deixou esse álbum pronto antes de falecer. Curiosamente, o nome do álbum é "Spiritual State", que se traduz como "Estado Espiritual". E sem dúvida, o álbum faz justiça ao nome! Aproveitem e bom final de semana!

R.I.P. NUJABES

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Das Mentiras que nos Contam [2]

Assumo que estou batendo muito repetidamente em certas teclas, como a sociedade Patriarcal, entre outros temas. Mas isso faz parte dos objetivos que viso atender com essa blog. Ninguém escreve tão despretensiosamente. E parte da minha pretensão, além de me forçar a escrever continuadamente, é criar um espaço intelectual dedicado a revisar a realidade e seus contornos. Um meio de transformar a visão de mundo daqueles que me leem. Se ao final desses 365 dias, um leitor que me acompanhe não tiver o seu mundo virado de cabeça para baixo, no mínimo algumas vezes consecutivas, então o propósito do meu blog foi totalmente fracassado.
Esse post é pequeno demais para meus músculos!

Continuo a série, desmistificando outro dos muitos mitos inventados para justificar o sexismo machista. A concepção de que a diferença comportamental entre os sexos está fundamentada na diferença hormonal. Durante muito tempo, pensou-se que homens e mulheres produziam hormônios diferentes, e que isso bastava para explicar as diferentes aptidões , necessidades e gostos. Esse conceito caiu por terra, quando em 1920, descobriu-se que hormônios feminilizantes e masculinizantes eram produzidos nos corpos de ambos os sexos!, ainda que em quantidades diferentes.

Assim, passaram a falar, não sobre contrastes absolutos, mas diferenças relativas. Assim, apoiaram sobre essa diferença de proporções hormonais para justificar desvios da conduta normativamente feminina ou masculina.

Pensou-se, por exemplo, que a homossexualidade era provocada por um desequilíbrio hormonal. Onde gays teriam excesso de estrogêneo, e lésbicas excesso de testosterona. Essa explicação se revelou completamente falsa, pois as taxas hormonais entre héteros e homossexuais eram as mesmas. Não havendo qualquer tipo de padrão ou regra que vinculasse um desnível hormonal com um comportamento sexual distinto.

Considerou-se também, que mulheres que que estudavam e trabalhavam - ou ao menos almejavam desempenhar tais atividades - sofriam de uma masculinização hormonal. Anomalia considerada perigosa para a mulher e para a estrutura social. Nenhuma dessas especulações pode ser comprovadas. Nenhum possível vínculo entre hormônios e o comportamento psicológico ou sexual das pessoas poderia ser comprovado.
Musculinização = Masculinização?
Por muito tempo, equivocadamente, associaram o hormônio testosterona com o comportamento agressivo. Justificaria-se, então, o comportamento competitivo, impetuoso e mesmo violento dos homens, não só com outros homens, mas com as mulheres. Analogamente, as mulheres seriam naturalmente serenas, passivas e submissas, pela falta de hormônios masculinos, tal como é a testosterona.

Assim se justificaria também, o comportamento promíscuo do homem. Pois também associa-se os hormônios masculinizantes ao desejo sexual. Justifica-se então, a necessidade dos homens de possuírem várias conquistas, enquanto as mulheres sentiriam menos desejo sexual. Argumento que se encocha em outro, referente ao fato de um mesmo homem poder fecundar dezenas de mulheres. Mas uma mesma mulher só poderia ser fertilizada por um único homem. Justificando assim o comportamento garanhão e adultero por parte dos homens.

todas essas afirmações, pseudo-estudos e maniqueísmos baratos esbarram em problemáticos defeitos metodológicos. Primeiro, que a definição de agressividade é sempre muito vaga. O que se descreve como "comportamento agressivo"? É um termo que se tornou difuso e subjetivo demais! Na maior parte das vezes, desconsidera-se que muitos dos fenômenos associados à natureza agressiva: como a raiva, a ambição, competição, crime, guerra; estão associados com diversos outros aspectos do comportamento humano: como a emoção, o medo, os sentimentos, as ideologias. A própria guerra tem muito pouco haver com qualquer agressividade "natural" aos homens, mas com os percursos da história!

Uma pesquisa realizada com soldados norte-americanos no Vietnam revelou que, antes de entrar em batalha, os soldados apresentavam baixíssimos níveis de testosterona! O mesmo acontece com homens que estão prestes a saltar de paraquedas. Surpreendente, não? Parece o avesso da expectativa. Justo quando o impeto de agressividade deveria estar em alta, a testosterona cai! Outra babozeira da sociobiologia desvendada.
Páreo pra você?

Os eunucos (homens castrados) que atuavam como os guardiões das mulheres, conselheiros e soldados do antigo Império Chinês, eram extremamente agressivos e violentos. A castração química aplicada em casos de crimes sexuais nos EUA, de revelou uma enorme contramão. Uma vez que ao invés de violentar suas vítimas, esses homens passaram a matar suas vítimas. Curiosamente, onde a testosterona é inibida do homem, sua agressividade aumenta!

Há de se dizer, também, que a agressividade pode ser acarretada pela restrição sexual. Padres, freiras e entre outros praticantes da castidade assexuada, apresentavam elevadas tendências ao autoritarismo agressivo. Mas isso ainda é um tema a parte. Acho que por enquanto o tema já desenrolou como poderia. Deixo a continuação da proza, sobre o impulso sexual, e outros mitos, para uma próxima oportunidade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A Crise Erótica

Ahhh! Estava ansioso para estrear um dos meus assuntos favoritos! Ainda que o preconceito contra os admiradores das artes sensuais seja ENORME, eu não escondo a minha face ante a moralidade distorcida da sociedade.
Panicats. Ícones de uma sensualidade industrializada.
Eu assumo, é sempre muito difícil lidar com a imaturidade humana quando o assunto é erotismo, sensualidade e sexo. Muito frequentemente, erotismo é confundido com pornografia, e vice versa. Ainda é muito difícil colocar um divisor de águas entre esses dois campos. Mas eu vou tentar trazer uma perspectiva absolutamente pessoal para o assunto.

Na nossa era pós-modernista, onde a noção de tradição e pertencimento a uma determinada cultura perde sua referencia, surge uma lacuna fácil de ser preenchida pelas ideologias consumistas. Tudo se torna produto. Tudo tem um preço. A produção de bens de consumo se industrializa quase completamente. As relações interpessoais se tornam cada vez mais comerciais e impessoais.

Assim aconteceu com o sexo, com o amor. Não seria diferente com a sensualidade e erotismo. A pornografia vem suprir a demanda por um prazer imediato, impessoal e modelado. Não existem grandes surpresas ai. O roteiro é simples e direto. O objeto de interesse, o sexo, é tratado como um bem de consumo material, como são os enlatados no supermercado. Descartáveis, empacotados em embalagens quase idênticas e de conteúdo previsível.

O erotismo surgiu da necessidade do homem de transcender as restrições. Temendo a própria natureza, o homem, desde cedo, era ciente do perigo de seus próprios impulsos, caso permitisse que esses se aflorassem descomedidamente. Enquanto precisava trabalhar para sobreviver e se defender da natureza, era necessário negar seus impulsos básicos para desempenhar tarefas específicas, direcionando toda sua energia e atenção a um determinado foco.
Sasha Grey. Ex atriz pornô, atual escritora,
música, e referencia pop.

Entre a obrigatoriedade do trabalho, e o impulso restringido, surgiu uma forma de extravasar os estresses e tensões. Surgiu o Erotismo. Válvula de escape para as proibições e limitações ao exercício sexual, o Erotismo é a transgressão necessária. Um re-equilíbrio de forças.

Esse jogo constante, entre proibição e transgressão, permitiu o desenvolvimento da cultura, linguagem e a intelectualidade como conhecemos. Se não fosse pelas proibições, o homem seria engolido e devorado por suas paixões e impulsos, sem possibilidade de evoluir a cultura por meio do trabalho. Enquanto que no outro lado da moeda, sem a transgressão, as regras perdem o seu propósito de existir, e a própria existência, se fosse absolutamente regida por regras e parâmetros invioláveis, perderia o sentido e existir. A humanidade se extinguiria estagnada pela apatia e falta de propósito.

Segundo o diretor Woody Allen, "a pornografia é o erotismo dos outros". Com essa frase eu explico que, erotismo diz respeito as nossas fantasias pessoais. É algo íntimo, pessoal, personalizado à maneira de cada um. A pornografia atende uma demanda de se formalizar o erotismo em um molde generalizado e de consumo simples, fácil, homogenizado.

Pornografia é o erotismo de massa. Note, eu não disse que é o erotismo das massas, mas apenas aponto que faz parte da repercussão da ideologia de consumo que visa atender demandas padronizadas. A pornografia transcende do status de pornografia, quando ela não alimenta simplesmente a objetividade da saciedade sexual (uma salve para os bronhas de plantão), mas satisfaz algum desejo íntimo daquele que a consome, pois não se limita à objetividade física, mas se enriquece com elementos emotivos e mesmo até metafísicos!
Arte erótica é outro nível!
Pode ser mania de quem gosta de valorizar as próprias paixões, mas na minha humilde opinião, o erotismo ainda pode salvar o mundo! Tá certo que não vai solucionar todos os problemas da modernidade, mas ainda pode servir para resgatar a qualidade das relações erótico-afetivas, bem como, as relações interpessoais onde, a priori, não se enxerga nenhuma intimidade erótica, mas sofre influência visível dos impulsos sensuais de cada indivíduo (Freud mandou um beijo, e tragou seu charuto em seguida).

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DO BIG BANG AO BANG BOOM

Uau, que tal diversificar um pouco o tema? Dos muitos que eu pretendo elaborar aqui, esse é um dos mais divertidos e complicados. Pois eu pretendo tentar abordar a MINHA visão sobre a religiosidade, espiritualidade, crenças e tudo o mais. Eu poderia descrever minha trajetória pessoal por completo, mas prefiro resumir explicando como eu passei de ateu cético para espiritualista.
Como eu me sinto todos os dias.
Quando novo, eu fiz a catequese e a eucaristia na ICAR. Era a criança mais animada, pois eu estava realmente disposto a aprender. Eu queria entender quem era esse tal de Jesus, e como ele se tornou a celebridade mais memorada da história. Frustrada essa curiosidade (devido a falta de preparação das catequistas) eu decidi me assumir ateu aos doze anos.

Pesquisando e estudando, aos dezenove anos, eu me deparei com leituras sobre Projeção Astral, entre outros temas espiritualistas. Devido a anos de estudos científicos, teorias das cordas, física moderna, mecânica quântica, teoria das dez dimensões físicas, a minha mente já estava se expandindo e, algumas ideias estavam se tornando mais suscetíveis a fazerem efeito.

Decidi estudar mais a fundo, pesquisar e aplicar o método científico de experimentação. Afinal, se dizem que é possível fazer contato com uma realidade espiritual, eu precisava reproduzir os experimentos sugeridos e verificar, por minha conta, a veracidade de tais relatos ou atestamentos. Dito e feito, eu pude comprovar com a minha própria experiência, que muitas dessas coisas são reais!
Estudo, empenho e dedicação. Tá achando que é moleza?
Mas o que significa dizer que alguma coisa é real? Qual é o seu conceito de realidade? É tudo aquilo que pode tocar, sentir, ou ver? Então você não pensa ou raciocina? Seus pensamentos não fazem parte da realidade?

Imagine um elefante rosa. Consegue vê-lo? Pensa que só pelo fato de não poder tocá-lo, ele não é real em algum sentido? Descrever o que é realidade é tão complexo para mim quanto tentar descrever o que não faz parte da realidade. E é aqui que a viagem começa, de modo muito cruel:

"AFINAL, O QUE SE DISTINGUE COMO REAL OU IMAGINÁRIO?"

 Perspectivas e realidade e verdades são, de algum modo, relativas. E já se exige uma enorme relativização, até mesmo para que eu pense em afirmar que não existem verdades absolutas, nem mesmo a assumida verdade de que "não existem verdades absolutas". Ufa! Ainda está comigo? Acalme-se, o mais complicado ainda está por vir!

Na minha concepção pessoal (e agora eu tenho mais liberdade para fazer afirmações), TUDO faz parte da realidade. Os nossos pensamentos, as nossas ideias... A própria imaginação seria uma mera expressão de algo que está anterior à nossa percepção tridimensional, limitada, primitiva.

As nossas experiências podem nos dizer mais sobre o mundo do que quaisquer informações que os livros tenham a nos oferecer. Por meio de livros, textos e teorias, você pode conhecer sobre muitas coisas, mas você só saberá sobre aquilo que já experimentou.

Eis que fica complicado falar sobre ciência e espiritualidade, pois as pessoas só aceitam como metodologia, aquelas que externam o objeto (de estudo) do sujeito (pesquisador). Desconsiderando assim que, em muitos casos, as concepções pessoais do investigador afetam no objeto estudado, de modo a contornar e retorcer a realidade:

AQUILO QUE VOCÊ PENSA SOBRE A REALIDADE, AFETA A MESMA!

A filosofia se esforça em separar e dividir o mundo concreto do mundo ideal. Onde um, seria a realidade tal como ela é, independente da nossa percepção. O outro, seria o mundo como nós idealizamos. E é sensível que, é muito difícil enxergar a realidade sem que ela seja filtrada pelos nossos conceitos e valores pessoais. Ao mundo concreto, em sua essência, dá-se o nome de absoluto. Algo completamente inatingível à nossa percepção sensorial, falha, limitada e imprecisa. Mas e se eu disser que é possível transcender a percepção física e fazer contato direto com a realidade em sua essência mais natural?

Com os avanços do estudos da mecânica quântica, constatou-se que um  mero observador, pode afetar o resultado de um experimento. BOOM! Cai por terra a ideia de que a nossa concepção sobre a realidade não afeta a mesma. Chega-se então, a um ponto, em que o mundo concreto e o mundo ideal se comunicam ininterruptamente!

O UNIVERSO É MENTAL!

Isso que vocês chamam de ciência, é risível!
Descobertas reveladoras, inéditas e surpreendentes? Nem um pouco! Há mais de 5000 anos, os egípcios estudavam as artes ocultas (ocultas aos olhos comuns), e se aprofundavam nas constatações sobre as realidades sutis, invisíveis aos olhos.

É milenar a concepção de que nossos pensamentos são capazes de interferir na realidade. E se essa é uma premissa básica e simples, acima da qual já se construíram castelos e literalmente pirâmides de conhecimento (antes de serem usadas como túmulos, as pirâmides eram laboratórios ocultistas), por que se conhece e se fala tão pouco a respeito? Por que esse tipo de estudo é tão vulgarizado e desconsiderado?

Nos séculos que se passaram, o estudo da religiosidade se dividiu em dois segmentos. O estudo exotérico (de acesso livre e público abrangente) e o estudo esotérico (de acesso restrito, e público limitado). A corrente exotérica promoveu perseguições a fim de exterminar a corrente esotérica. Pois eram considerados estudos perigosos e indecorosos à fé. A corrente gnóstica (misticismo cristão) foi praticamente erradicada nesse período. Hoje, é raridade encontrar algum estudioso da Gnose Arcaica, pois os estudos mais difundidos são de autores mais contemporâneos, como Samael Aun Weor.

A corrente exotérica queria manter o controle e a soberania por meio da alienação. Por conta disso promoveu as famosas inquisições. Sim, perseguiam-se bruxos e feiticeiras, não por mera alienação religiosas, mas por que de fato tais homens e mulheres existiam! Como eles praticavam essa chamada Magia, já é tema para outra proza.

Tantos séculos buscando entender a própria condição de existência, e o homem mal sabia que muitas respostas já foram encontradas, contudo, enterradas e trancadas a sete chaves. Não vou dizer que existem donos da verdade caminhando nesse mundo, mas afirmo que existem instrumentos disponíveis para que cada um investigue com esmero a PRÓPRIA realidade e encontre as respostas das próprias perguntas.

Eu sei que minha introdução sugeriu um tema, e aparentemente eu desviei completamente do assunto. Mas a vida é feita assim, de acetos e erros, de caminhos tortuosos e incertos. Vou fazer dessa mais uma série de textos. Até a próxima! 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Das Mentiras que nos Contam [1]

Ciência e ideologia caminharam juntas há muito tempo. Transitando entre o subjetivo pessoal e a necessária objetividade científica, o avanço científico esteve, muitas vezes, rendido aos interesses e objetivos de restritas minorias. Vou tratar de algumas dessas falaciosas pesquisas e os argumentos que as refutam.

O Estudo dos Animais:

Na etologia do princípio do século XX, pesquisadores trabalhavam em campo estudando os animais em seu ambiente natural. Entre muitos dos interesses em estudar a vida animal, havia demasiada curiosidade em perceber evidências nas relações entre machos e fêmeas, de maneira a explicar melhor essas relações dentro da própria espécie humana.

Majoritariamente homens participavam dessas pesquisas. Oh, não, a quem eu estou enganando? EXCLUSIVAMENTE homens participavam dessas pesquisas de campo. Pois como eram estudos que exigiam longos períodos longe da civilização, enfrentando os perigos das matas e florestas. Portanto, as mulheres eram automaticamente excluídas das pesquisas. Fato que permitiu que as conclusões dos estudos atendessem à demanda patriarcal de comprovar o macho como superior à fêmea.

Constatou-se, então, comportamentos como a demarcação de territórios, a agressividade, e a dominação dos machos para com as fêmeas. Foi disso, a concluir que tais comportamentos são naturais e inerentes à natureza animal. Vale lembrar que com a repercussão dos estudos Darwinianos, a corrente Naturalista estava em alta. A analise patológica que resumia o homem a um conjunto de mecanismos biológicos pre-programados pairava como uma nuvem sob os céus da intelectualidade no princípio do século XX. Eis que se justificava buscar por explicações para o comportamento no campo da gerada sociobiologia, que resumia o comportamento humano a respostas estritamente biológicas e materiais.
Jane Goodal, digna de ser atriz hollywoodiana.
Foi apenas a partir da segunda metade do século XX que mulheres começaram a participar das excursões da etologia. Dian Fossey, por exemplo, que pagou com a vida o seu interesse pelos Gorilas. E a memorável Jane Goodal, que se dedicou ao estudo e à proteção dos chimpanzés em seu habitat. Homens e mulheres começaram a questionar o que efetivamente era sabido sobre o comportamento dos animais.

Descobriu-se, nesses estudos revisadores, que embora os machos sejam maiores que as fêmeas nas espécies mamíferas, nem sempre as dominam. O dimorfismo sexual (a diferença de tamanho entre os sexos) é menor na espécie humana do que em outras espécies de primatas. Porém, entre os chimpanzés (os primatas mais próximos de nós), a fêmea dominante é que toma as decisões do grupo. Organizados em células matriarcais, uma vez que são as fêmeas que gerem a prole e permanecem no grupo, enquanto os machos, após atingirem determinada idade, precisam sair do grupo gerido e ir procurar outro grupo. As fêmeas representam assim, o que é permanente e fixo, dado tal, que a fêmea dominante é quem determina quem participa do grupo e também dirige os deslocamentos. Em outras espécies de macacos, as fêmeas são menores que os machos, mas quando os dois brigam, são as fêmeas que vencem a briga.

Descobriu-se também, que muitos comportamentos tidos como naturais eram fruto de confinamento ou condições não habituais de vida (reserva de recursos, espaço reduzido e controlado). Um exemplo foi um estudo sociobiológico que consistia em observar o comportamento sexual de patos selvagens num jardim botânico, perto da Universidade de Washignton. Descobriu-se que alguns machos que ficaram sem fêmea durante a época de acasalamento, cobriam as fêmeas que já tinham seu par sem passar pela corte habitual. Deduziu-se tratar de uma forma de estupro. No estudo, isso foi considerado como um comportamento natural no reino animal, e até mesmo para o homem. (Oh, claro. Não conseguiu transar som ninguém? Tem algo mais lógico a se fazer do que estuprar alguém?) Contudo, esse estudo, além de desconsiderar as gigantes diferenças entre a espécie de patos e de humanos, desconsiderou-se também o impacto do fato dos patos estarem vivendo em um espaço semi-urbano e, portanto, não natural.

Verificou-se mais tarde, também, que comportamentos como a demarcação de território e a agressividade dependem de certas circunstâncias específicas de ambiente. Como a escassez de alimentos entre outros fatores que repercutem de alterações drásticas no espaço natural. Como a presença de intrusos (humanos), ou o desmatamento, que obriga os animais a se deslocarem rapidamente e, portanto, tem de passar a dividir espaço com outros grupos da mesma espécie em relação conflitante.

Por hoje está bom, não acham? Bom, acho que farei desse tema uma série. Assim, disseminarei o conteúdo a conta gotas.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Culto à Deusa

Antes das religiões contemporâneas ocidentais cultuarem a figura de um Deus-Pai-Criador, milênios antes do nascimento de Cristo, cultuava-se um Deusa-Mãe-Criadora. Representante do poder de geração de vida concedido ao papel das mulheres na sociedade. Sim, alguma vez, muitos anos atrás, o poder de gerar uma vida era incontestavelmente um poder de barganha e autoridade. Isso se dá pelo fato de ainda não terem associado o sexo com a geração de uma nova vida, pois não se compreendia o conceito de fecundidade ou o papel do sêmen masculino. Portanto, o poder de gerar uma vida parecia depender exclusivamente da atuação feminina.

Do período do VIII ao VI milênios antes de Cristo, iniciou-se uma transformação radical no modo de vida da humanidade. Foi a chamada Revolução Neolítica. A agricultura se estabelece definitivamente em 6500a.C.. No período que as mulheres passavam reclusas por conta da menstruação  (considerada uma doença), em quarentena, elas comiam frutas e deixavam suas sementes no chão. Quando voltavam a passar pelo período menstrual, elas constatavam que nos lugares em que elas haviam deixado uma semente jogada ao chão, brotara uma árvore. E foi assim que as mulheres foram responsáveis pela descoberta e desenvolvimento da agricultura. Fato tal que permitiu que os grupos ainda nômades pudessem se estabelecer em alguma região fixa.

A caça promovida pelos homens também sofreu retroação. Pois começaram a perceber que a caça extensiva e descomedida poderia repercutir na extinção dos animais. Portanto, passaram a domesticar os animais, e a caça perdeu consideravelmente o seu valor para a agricultura. A fecundidade dos solos era considerada dependente da fecundidade feminina.

Na região da atual Turquia, entre 6500 e 5600a.C., surge a maior e mais antiga cidade conhecida: Çatal Huyuk. Nela foram encontradas casas com relevos femininos: mulheres grávidas e figuras com pares de seios. A Deusa Pótnia é representada com uma pantera de cada lado, em cujas cabeças ela coloca as mãos, demonstrando seu poder de mãe e senhora da natureza.

Após a invenção da escrita, em 3000a.C., foi venerada com o nome de Inanna, na Suméria; Ishtar, na Babilônia; Anat, na Fenícia; Ísis, no Egito; Nukua, na China; Freya. Era sempre reverenciada como fonte de vida, como a força que proporciona a existência das plantas e da fertilidade.

Não tendo mais que arriscar a vida como caçador, os valores viris do homem não eram mais enaltecidos, daí a ausência de deuses masculinos. As súplicas e os sacrifícios eram dirigidos à Deusa e toda atividade econômica estava ligada ao seu culto.

É interessante, não é mesmo? Conhecer uma versão diferente da história. Uma na qual o papel central e dominante do homem não se faz presente, mas no seu lugar (aos olhos maus acostumados) a mulher rouba o papel central do homem. Eu decidi abordar esse assunto depois de constatar a carência de referências sobre o referido tema. Portanto...

Ao mesmo tempo que a Deusa era adorada sob diferentes nomes e formas, é possível falar em fé na Deusa, como sendo única. Ainda que curiosamente o culto fosse politeísta e monoteísta, simultaneamente. O universo era uma mãe generosa, a Deusa o governa, proporcionando bem-estar ao seu povo. Assim como toda vida nasce dela, retorna a ela, na morte, para renascer.

Quando abandonaram a caça, os homens começaram a participar das atividades das mulheres. Inicialmente, ajudavam na árdua tarefa de desbravar a terra com enxadas de madeira, o que exigia bastante força física. Tempos depois, domesticaram os animais e incorporaram à agricultura, usando um arado primitivo. A convivência cotidiana com os animais fez com que percebessem dois fatos surpreendentes: as ovelhas segregadas não geravam cordeiros nem produziam leite, porém, num intervalo de tempo constante, após o carneiro cobrir a ovelha, nasciam filhotes. A contribuição do macho para a procriação foi, enfim, descoberta, mas não apenas isso. Os homens perceberam que um carneiro podia emprenhar mais de 50 ovelhas! Com um poder similar a esse, o que o homem não conseguiria fazer?

Não é difícil imaginar o impacto dessa revelação para a humanidade. Após milhares de anos acreditando que a fertilidade e a fecundação eram atributos exclusivamente femininos, os homens constatam, surpresos, que o que fertiliza uma mulher é uma substância nela colocada: o sêmen do macho!

A reação masculina eclodiu com força e ira de quem fora durante muito tempo enganado. O homem foi desenvolvendo uma comportamento autoritário e arrogante. Do parceiro igualitário, a mulher viu surgir um déspota opressor.

Num primeiro momento, a Deusa continuava a ser venerada, mas um Deus masculino e viril desponta para lhe fazer companhia. Na condição inicial de subordinado, era responsável exclusivamente por fecundar a Deusa. Até que em seguida, passaram a serem considerados como casados para a eternidade. O coito sagrado era encenado pela sacerdotisa do templo e pelo sacerdote, escolhidos por vontade divina. Celebravam o mistério do sexo e da fertilidade da natureza.

Gradualmente, os deuses foram adquirindo poder, na mesma medida que se desequilibravam as relações entre homens e mulheres. Ísis e Osíris, um casal divino, apareceu no Egito durante o terceiro milênio. Seu casamento simboliza a união da água (Nilo) e da terra.

Passado um tempo, o culto à Terra-Mãe foi substituído pelo culto ao Herói-Guerreiro. Disso em diante, foi perdendo espaço, até ser destronada completamente. Banida dos cultos e perdendo espaço do território do Divino.

Os homens passam a ter autoridade sob o corpo das mulheres, por meio da instituição do matrimônio. Surge uma preocupação em manter a fertilidade feminina sob controle, desse modo, cerceando a liberdade sexual das mulheres. A virgindade das mulheres passa a ser exigida para o desposamento, com pena de morte caso descumprida. E assim vão-se milênios, até o surgimento de outros mitos que serviram para endemoniar a mulher, como o mito de Lilith na cultura Judaica. Mas isso é um tema que eu prefiro não abordar nem me aprofundar.

Eu cheguei a mencionar o Mito da Deusa aqui, mas como o material internautico é muito escasso sobre o assunto, resolvi elaborar o tema, fazendo um resumão (ainda que extenso) sobre a temática.

domingo, 1 de setembro de 2013

Leilão da Virgindade: Um resgate aos valores tradicionais

Ah, sim! Eu voltei aos nossos queridos temas ardilosos e inescrupulosos, com estilo e gosto! Mantendo a boa prática de nunca abordar temas que estejam na boca dos outros blogueiros do momento, resgato um tema a pouco esquecido pela mídia e pelos midiáticos das redes sociais.

Olha o preço da carne, minha gente! É pra deixar com água na boca!


Saúdam sua rainha, reacionários. Catarina Migliorini resgata valores tradicionalíssimos ao participar de um documentário australiano para leiloar a própria virgindade. Catarinense, 20 anos, lançou até um ensaio na Playboy após a repercussão da tão polemizada notícia.

A jovem diz encarar a venda da virgindade como uma situação de negócios. Com postura digna de proeminente articuladora empresarial, defende com classe sua escolha e opinião referente ao tema. Arrebitou a revolta entre os (falsos) moralistas que a acusam de prostituição e imoralidade. Eu, pessoalmente, enxergo a situação com olhos diferentes.

Basta uma breve retrospectiva histórica para observarmos como o comportamento da preciosa catarinense se fundamenta em valores antiguissimos! Desde a época do casamento arranjado, a virgindade da mulher era prezada como sinal legitimo de pureza e fidelidade. Na sociedade feudal japonesa, a virgindade de uma gueixa era espécime de altíssimo valor e, também era leiloada! Na Idade Média Ocidental, o casamento entre filhos de famílias influentes era visto como um contrato, não como uma união amorosa. E para que tal união fosse legítima e louvada, a virgindade da noiva deveria ser comprovada.

Resumindo a ópera: Na lógica de uma sociedade Patriarcal (e você vai me ver mencionando esse termo o tempo todo), a virgindade é o bem mais precioso de uma dama. E se hoje os tempos são outros, a lógica ainda não mudou tanto.
Vai um Cartão Bolsa Família?

O matrimônio tornou-se parte da mecânica socialmente prevista para os relacionamentos amorosos. Se antigamente, as relações de interesse na escolha dos bons partidos era explicitamente guiada pelo status do pretendente, nos tempos atuais, a coisa ainda não mudou muito de figura. A ciência sociobiologica (falaciosa) tentou até mesmo explicar por que as fêmeas procuram os machos que são mais fortes e bem de vida. Justificaria-se em prol de manter a prole protegida, bem alimentada e confortável. Razões pelas quais as mulheres teriam a tendência a procurar homens bem sucedidos financeiramente. (Eu ainda vou dedicar um texto inteiro só para desmoronar essa e outras teorias. Teorias criadas por diversas pseudo-ciências e que tentam justificar relações machistas em uma sociedade que já não tolerava mais esse sistema.)

A concepção do homem independente, másculo, poderoso, bem de vida, que dirige um carrão e ostenta roupas de grife ainda predomina na nossa sociedade.(vide o sucesso do hediondo 50 tons de Cinza) Tudo isso só serviu para transferir o carácter das relações explicitamente comerciais no matrimônio, para emblemas representativos. Tal como é o simbolismo do rapaz que faz 18 anos e tira carteira de motorista para poder sair com o carro do pai e paquerar nas baladas. Afinal, de que outro modo ele arrumaria uma namorada se ele não tivesse um carro? Eu mesmo tenho 22 anos e ainda não tirei carteira de motorista, e ai? Como fico?

Assim como é o famoso cavalheirismo da parte do homem levar a sua amada para um jantar caro e pagar a conta sozinho. Certa vez conheci uma moça que reclamou de um ex-ficante por que ele sempre pedia para dividir a conta. Chegada a terceira vez que isso ocorreu, ela disse que nunca mais sairia com ele. Afinal, que tipo de homem pede para rachar a conta do restaurante? Não pode ser homem de verdade! Ahn, ahn! Não mesmo!

Tendo tudo isso em vista, a escolha da nossa amiga Catarina em vender a virgindade é apenas uma maneira de colocar em evidência o que a sociedade mantém oculta pelas vendas da ideologia. Se o que existe de mais excitante e dignificante para um homem é tirar a virgindade de uma garota e, portanto, ter sobre ela o poderio de dizer que foi o primeiro (e se possível será o único) a ter dado prazer a ela, então qual é o problema de ela comercializar o que ela tem de melhor a oferecer?

É um retrocesso ou um progresso? Ah não, não vamos cair nesse tipo de julgo moral, como fazem os (falsos) moralistas. Deixe a garota ser, fazer,  viver como ela quiser! Só te pergunto uma coisa, Catarina: o que é que vem depois? Depois de romper o hímen, o que mais você tem a nos oferecer?