O Estudo dos Animais:
Na etologia do princípio do século XX, pesquisadores trabalhavam em campo estudando os animais em seu ambiente natural. Entre muitos dos interesses em estudar a vida animal, havia demasiada curiosidade em perceber evidências nas relações entre machos e fêmeas, de maneira a explicar melhor essas relações dentro da própria espécie humana.
Majoritariamente homens participavam dessas pesquisas. Oh, não, a quem eu estou enganando? EXCLUSIVAMENTE homens participavam dessas pesquisas de campo. Pois como eram estudos que exigiam longos períodos longe da civilização, enfrentando os perigos das matas e florestas. Portanto, as mulheres eram automaticamente excluídas das pesquisas. Fato que permitiu que as conclusões dos estudos atendessem à demanda patriarcal de comprovar o macho como superior à fêmea.
Constatou-se, então, comportamentos como a demarcação de territórios, a agressividade, e a dominação dos machos para com as fêmeas. Foi disso, a concluir que tais comportamentos são naturais e inerentes à natureza animal. Vale lembrar que com a repercussão dos estudos Darwinianos, a corrente Naturalista estava em alta. A analise patológica que resumia o homem a um conjunto de mecanismos biológicos pre-programados pairava como uma nuvem sob os céus da intelectualidade no princípio do século XX. Eis que se justificava buscar por explicações para o comportamento no campo da gerada sociobiologia, que resumia o comportamento humano a respostas estritamente biológicas e materiais.
| Jane Goodal, digna de ser atriz hollywoodiana. |
Descobriu-se, nesses estudos revisadores, que embora os machos sejam maiores que as fêmeas nas espécies mamíferas, nem sempre as dominam. O dimorfismo sexual (a diferença de tamanho entre os sexos) é menor na espécie humana do que em outras espécies de primatas. Porém, entre os chimpanzés (os primatas mais próximos de nós), a fêmea dominante é que toma as decisões do grupo. Organizados em células matriarcais, uma vez que são as fêmeas que gerem a prole e permanecem no grupo, enquanto os machos, após atingirem determinada idade, precisam sair do grupo gerido e ir procurar outro grupo. As fêmeas representam assim, o que é permanente e fixo, dado tal, que a fêmea dominante é quem determina quem participa do grupo e também dirige os deslocamentos. Em outras espécies de macacos, as fêmeas são menores que os machos, mas quando os dois brigam, são as fêmeas que vencem a briga.
Descobriu-se também, que muitos comportamentos tidos como naturais eram fruto de confinamento ou condições não habituais de vida (reserva de recursos, espaço reduzido e controlado). Um exemplo foi um estudo sociobiológico que consistia em observar o comportamento sexual de patos selvagens num jardim botânico, perto da Universidade de Washignton. Descobriu-se que alguns machos que ficaram sem fêmea durante a época de acasalamento, cobriam as fêmeas que já tinham seu par sem passar pela corte habitual. Deduziu-se tratar de uma forma de estupro. No estudo, isso foi considerado como um comportamento natural no reino animal, e até mesmo para o homem. (Oh, claro. Não conseguiu transar som ninguém? Tem algo mais lógico a se fazer do que estuprar alguém?) Contudo, esse estudo, além de desconsiderar as gigantes diferenças entre a espécie de patos e de humanos, desconsiderou-se também o impacto do fato dos patos estarem vivendo em um espaço semi-urbano e, portanto, não natural.
Verificou-se mais tarde, também, que comportamentos como a demarcação de território e a agressividade dependem de certas circunstâncias específicas de ambiente. Como a escassez de alimentos entre outros fatores que repercutem de alterações drásticas no espaço natural. Como a presença de intrusos (humanos), ou o desmatamento, que obriga os animais a se deslocarem rapidamente e, portanto, tem de passar a dividir espaço com outros grupos da mesma espécie em relação conflitante.
Por hoje está bom, não acham? Bom, acho que farei desse tema uma série. Assim, disseminarei o conteúdo a conta gotas.
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